Tem criança que não suporta a etiqueta da camiseta. Outra tampa os ouvidos no aniversário do colega. Outra não para quieta e parece buscar movimento o tempo todo. Muitas vezes, essas situações têm a ver com o jeito como o cérebro recebe e organiza o que chega pelos sentidos.
O que é processamento sensorial?
A todo momento recebemos informações do corpo e do ambiente: o toque da roupa na pele, os sons ao redor, a posição do corpo, o equilíbrio quando andamos.
O processamento sensorial é a forma como o sistema nervoso recebe essas informações, organiza e usa para responder ao que acontece. Quando ele funciona com tranquilidade, a criança brinca, presta atenção, se veste e circula pelos lugares sem que os estímulos atrapalhem. Quando há dificuldades, estímulos comuns podem parecer intensos demais, ou fracos demais.
Como isso aparece na rotina?
Algumas situações que as famílias costumam relatar:
Texturas
Incômodo forte com roupas, alimentos ou materiais.
Sons e lugares cheios
Reações intensas a barulho, festas e ambientes movimentados.
Busca por movimento
Pular, girar e se jogar o tempo todo.
Medo de movimento
Receio exagerado de balanços, escadas ou de tirar os pés do chão.
Dificuldade para se acalmar
Demora para voltar ao normal depois de uma situação agitada.
Nenhum desses sinais, sozinho, define uma dificuldade. Toda criança tem preferências. O ponto de atenção é quando elas atrapalham a participação no dia a dia, em casa, na escola ou nas brincadeiras.
Conte o que você tem observado. A equipe responde pelo WhatsApp e indica por onde começar.
O que a terapia ocupacional faz?
A terapia ocupacional promove a autonomia e a participação da criança nas atividades do cotidiano. Ela olha para aspectos motores, sensoriais, cognitivos e comportamentais e pode trabalhar:
- atividades de vida diária, como se vestir e comer;
- o brincar e as habilidades escolares;
- coordenação motora;
- autorregulação e processamento sensorial.
Quando indicado, a terapeuta usa estratégias baseadas na Integração Sensorial de Ayres®, uma abordagem que organiza experiências sensoriais de forma planejada, geralmente pelo brincar, com objetivos definidos para cada criança.
Como é a sala de integração sensorial?
Na Faz de Conta, a terapia ocupacional conta com uma sala preparada para esse tipo de atendimento, com equipamentos suspensos, tatames e almofadas. Ali a criança explora movimento, equilíbrio e diferentes estímulos com segurança, sempre acompanhada pela terapeuta.
Como a família participa?
O que acontece na sessão precisa fazer sentido fora dela.
- Orientação para a rotina. A família recebe sugestões para adaptar o dia a dia em casa.
- Treinamento parental. O treinamento parental ajuda pais e responsáveis a aplicar as estratégias.
- Conversa com a escola. Quando a escola faz parte das questões, a equipe também fala com ela.
Se o que você observa envolve também movimento e coordenação, vale conhecer a fisioterapia neurofuncional. E se ainda não está claro por onde começar, leia Não sei qual profissional procurar.
Perguntas frequentes
Toda criança que se incomoda com barulho precisa de terapia?
Não. Toda criança tem preferências. Vale conversar com um profissional quando o incômodo atrapalha a participação dela em casa, na escola ou nas brincadeiras.
O que é a Integração Sensorial de Ayres®?
É uma abordagem da terapia ocupacional que organiza experiências sensoriais de forma planejada, geralmente por meio do brincar, com objetivos definidos para cada criança. Ela é usada quando indicada pela terapeuta.
A família participa do tratamento?
Sim. A família recebe orientações para adaptar a rotina, e o treinamento parental ajuda a aplicar as estratégias no dia a dia.



