A preocupação raramente chega de uma vez. A professora comenta que seu filho se distrai mais que os colegas. A avó acha que ele fala pouco para a idade. Você nota que ele tropeça muito, ou que desmorona quando a rotina muda. E fica a pergunta: com quem eu falo sobre isso?
Este guia ajuda você a organizar o que tem percebido e mostra quais áreas costumam cuidar de cada tema. Ele não serve para diagnosticar. Serve para dar o primeiro passo com mais clareza.
É normal não saber por onde começar?
É. O desenvolvimento envolve movimento, comunicação, aprendizagem, emoções e relações ao mesmo tempo, e uma mesma situação pode ter explicações bem diferentes.
Uma criança que evita as atividades da escola pode ter dificuldade de atenção, de coordenação ou de linguagem. Ou pode estar só insegura em um lugar novo. Vista de fora, a situação parece a mesma.
Você não precisa chegar com o nome de uma especialidade. O que mais ajuda é contar o que você tem observado.
O que costuma chamar a atenção das famílias?
Os temas abaixo aparecem com frequência na clínica. Use como um mapa, não como uma lista de sintomas: cada criança tem o próprio ritmo.
Movimento e corpo
Demora para sentar, engatinhar ou andar, quedas frequentes, pouco equilíbrio ou coordenação. Inclui crianças com condições neurológicas ou genéticas que afetam o movimento.
Quem costuma acompanhar: fisioterapia neurofuncional e terapia ocupacional.
Comunicação e alimentação
Fala que demora a aparecer, dificuldade para ser entendido, pouca troca na conversa, engasgos ou recusa de muitas texturas na comida.
Quem costuma acompanhar: fonoaudiologia.
Aprendizagem e escola
Dificuldade persistente para ler, escrever ou fazer contas, e relatos frequentes da escola. Dúvidas sobre atenção e memória também entram aqui.
Quem costuma acompanhar: psicopedagogia e avaliação neuropsicológica.
Comportamento, emoções e relações
Reações muito intensas, dificuldade para brincar junto, seguir regras ou lidar com mudanças na rotina.
Quem costuma acompanhar: psicologia e, quando envolve autorregulação e questões sensoriais, terapia ocupacional.
Conte o que você tem observado. A equipe responde pelo WhatsApp e indica por onde começar.
Por que olhar para a criança como um todo?
Porque as áreas do desenvolvimento se influenciam o tempo todo. Alguns exemplos:
- uma dificuldade de linguagem pode aparecer como frustração e choro;
- um incômodo com barulho pode parecer falta de atenção;
- uma questão motora pode afastar a criança das brincadeiras com os colegas.
Quando as áreas trabalham a partir do mesmo plano, a família deixa de receber orientações que não conversam entre si.
É o que acontece no tratamento interdisciplinar: profissionais de áreas diferentes combinam o que vem primeiro e seguem objetivos em comum.
O que anotar antes da primeira conversa?
Cinco anotações simples deixam a conversa com a equipe bem mais produtiva:
- O que você observa e em quais situações acontece: em casa, na escola, com outras crianças.
- Desde quando isso chama a sua atenção.
- O que a escola diz, se ela já comentou algo.
- Avaliações e relatórios que a criança já tenha feito.
- O que você gostaria que fosse diferente no dia a dia.
Não precisa ser um texto organizado. Tópicos no bloco de notas do celular já resolvem.
Como é o primeiro passo na Faz de Conta?
- Conversa pelo WhatsApp. A equipe pergunta a idade da criança, o que tem chamado sua atenção e o histórico até aqui.
- Indicação do melhor começo. Pode ser uma avaliação ou o atendimento com uma especialidade.
- Primeiro encontro na clínica. A partir dele, o cuidado segue as etapas acolher, avaliar, compreender, planejar, intervir e acompanhar.
Você pode conhecer cada etapa na página A clínica. Para entender como funciona uma avaliação, leia Avaliação neuropsicológica infantil: quando procurar e como funciona.
Perguntas frequentes
Preciso saber qual especialidade meu filho precisa antes de procurar a clínica?
Não. Conte para a equipe o que você tem observado. A partir da conversa, ela indica se o melhor começo é uma avaliação ou o atendimento com uma especialidade.
A Faz de Conta atende só crianças com TEA?
Não. A clínica acompanha diferentes questões do desenvolvimento infantil e juvenil: movimento, fala e linguagem, alimentação, aprendizagem, comportamento, interação social, autonomia, atrasos do desenvolvimento e condições neurológicas ou genéticas.
Como faço o primeiro contato?
Pelo WhatsApp da clínica. A equipe conversa com você, entende a situação e combina o primeiro encontro.
A clínica atende por convênio?
O atendimento na Faz de Conta é particular.




